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Os 5 Ps da PRESENÇA

Por Margarete De Boni e Renato Morandi


Presença no ICP, é um modo de funcionamento humano para lidar de forma efetiva com o "aqui e agora". A PRESENÇA pode ser exercitada e é composta por 5 Ps. ​⠀

O primeiro é a Percepção do Eu (P1), composto pela consciência dos sentimentos e comportamentos que fazem parte da própria história, de um passado específico, sem relação com a realidade deste instante. Estes comportamentos do passado formam padrões não conscientes de ação, como por exemplo, quando a pessoa se comporta da mesma forma, em situações completamente diferentes.


O objetivo da Presença neste estágio é que os padrões se tornem conscientes, possibilitando escolhas e ajustes alinhados com sentimentos próprios deste momento. Quando este P1 é alcançado, pode-se dizer que estamos coerentes. Pensamos, agimos e sentimos de forma integrada: falamos, fazemos o que falamos e ficamos bem com isso, sem necessidade de comportamentos defensivos, generalizações e julgamentos. Então, a fronteira do EU e os conteúdos do próprio self ficam claros e não interferem nem são transferidos para o outro com quem estamos nos relacionando neste momento.​


Na Percepção do Outro (P2) considera-se que existe uma interdependência com a Percepção do EU (P1). O P2 é similar à curiosidade de uma criança quando faz contato com o mundo externo sem julgamentos e referências pré-existentes. Busca compreender e conhecer o que vê de comportamentos, sentimentos expressos e do que é dito pelo outro.

As crianças, em geral até os 8 anos, quando perguntam de uma forma literal sobre o que percebem no outro, podem estar gerando um feedback para desenvolvimento do P2. Desenvolver o P2 é praticar observação sem juízo de valor, que impacta na ampliação do P1. Isto significa observar sem interpretar o outro.​


No P3, surge a Percepção de Relacionamento, que considera a necessidade com base em uma experiência motivadora do comportamento humano. O meio através do qual essa necessidade de relacionamento acontece, é através da construção de uma relação onde o EU está suficientemente seguro (P1), convidando o OUTRO para também ficar seguro (P2). No relacionamento, impactos mútuos percebidos pelos cinco sentidos provocam emoções. Estas emoções afetam o senso de segurança na relação e geram ações que causam novos impactos determinando a qualidade da relação. ​⠀


Na integração do P1, P2 e P3 é possível ter consciência das próprias emoções e escolher como agir (P1); perceber aspectos emocionais do outro (P2), tornando possível contribuir para a segurança na relação através de ações de cuidado e respeito pelas vulnerabilidades próprias e do outro (P3).


A Percepção do Contexto (P4) é formada pela inter-relação das imagens da situação, percebidas pelas pessoas que estão juntas em um dado momento. O contexto possui três componentes: ​⠀

  • Ambiente: local onde eu e outros estamos e o que existe de concreto nele;

  • Situação: é a imagem que cada um tem do relacionamento existente entre pessoas e coisas do ambiente e

  • Pessoas: cada envolvido atribui diferentes significados e importância à situação, com os quais interagem entre si e constroem a qualidade do contexto que impacta na escolha do Papel (P5). ​

Até aqui apresentamos os níveis de percepção necessários envolvendo desenvolvimento pessoal e interpessoal para exercitar PRESENÇA. Nem sempre teremos a mesma qualidade em todos estes níveis. A qualidade de nossa percepção impacta diretamente na psicodinâmica do autodesenvolvimento e qualidade dos relacionamentos. Daí a importância de buscar autoconhecimento. Quando existe consciência destes aspectos relacionais do EU e OUTROS em um contexto, há integração de P1, P2, P3 e P4, os quais são a base para consistir e escolher um Papel (P5) para o momento.

Utilizamos o conceito criado por Bernd Schmid em seu artigo “Papéis Sociais”, onde PAPEL é um sistema coerente de: ​⠀

  • Atitudes;

  • Sentimentos; ​

  • Comportamentos; ​⠀

  • Perspectivas sobre a realidade e ​⠀

  • Relacionamentos que o acompanham.

Cada uma destas cinco características funciona como um holofote que coloca luz gerando consciência, ampliando aquele aspecto e a coerência do sistema PAPEL. ​Vamos compreender a integração do PAPEL requerido usando um exemplo fictício:


Em uma empresa familiar, a sócia-diretora e o vendedor são casados. Ambos têm suficiente experiência e competência como profissionais em suas áreas. Em situações de pressão para um ou ambos, a comunicação entre eles se torna conflituosa. O que se observa é que a atitude do vendedor para com a diretora se confunde com a do marido quando ele, na empresa, não aceita as orientações e questiona publicamente as decisões tomadas por ela. Nesta hora, a diretora perde o seu papel e responde como esposa. O vendedor continua questionando e querendo dar uma orientação diferente da fornecida pela diretora. Para quem observa a discussão, ambos perderam os papéis organizacionais, pois suas atitudes eram dos papéis de marido e esposa.

O que é esperado do papel do profissional de vendas no contexto organizacional é que ele traga informações, dê sugestões, faça recomendações e coopere com as decisões da diretora. Caso assim ocorresse, teríamos os papéis organizacionais requeridos acontecendo. Na situação, observamos a contaminação dos papéis privados e organizacionais. Daí a importância da consciência e integração das Percepções do Eu (P1), do Outro (P2), do Relacionamento (P3) e do Contexto (P4) que dará consistência para seleção do PAPEL Requerido (P5).


Se a diretora tivesse suficiente integração de P1, P2, P3 e P4, a manutenção no papel de diretora (P5) teria dado limite e estímulo para o vendedor permanecer neste papel e, com isso, ela estaria em PRESENÇA. ​